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Crianças precisam ser crianças

Data da publicação: 15/02/2019
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As férias estão chegando ao fim,  o material escolar já está sendo providenciado e junto com a mochila e os novos cadernos vem a expectativa dos primeiros dia de aula, da escola, dos novos colegas, da nova professora.  Tudo isso é carregado de significado para as memórias que ficam registradas em nossas "caixinhas", o cheirinho do caderno novo, o sorriso da professora no primeiro encontro, a timidez do primeiro contato com os colegas, esse processo faz parte do amadurecimento, da socialização e do processo da construção da autonomia de cada criança. 

Quero me dirigir hoje aos pais e mães de crianças que estão na educação infantil, desfrutando da primeira e da segunda infância. Não criem expectativa em torno da alfabetização e do letramento das crianças, não pulem etapas, não queiram disputar com outros pais a capacidade de cada um e cada uma.

A aprendizagem é feita de etapas, e se pulamos alguma delas, certamente ficará um déficit no aprendizado que talvez só sera percebido com o passar do tempo.

Como pedagoga afirmo que antes das crianças aprenderem a escrever o nome, elas precisam se transformar em sujeitos que sabem resignificar as palavras e ações  Antes de ensinar sobre as letras, quero que ele aprenda a resinificar as palavras ditas. Antes de ensinar sobre cálculos de matemática, quero ensinar sobre valores humanos. Antes de falar sobre economia, ou então, quanto custa aquele prédio ou aquela casa dos "sonhos", quero que ele saiba quantas pessoas trabalharam para que fosse construído, quantas mãos calejadas e quantos rostos queimados pelo sol foram necessários para construir um prédio e que a maioria daqueles trabalhadores e trabalhadoras  nunca irão morar lá. Ainda sobre leitura de mundo, quero que ele entenda sobre as "oportunidades". Pois é, elas não são para todos. 

Preciso fazer com que ele entenda que, ser a criança mais inteligente ou a mais estudiosa da turma nunca significou ser a mais feliz. Estamos tão obstinados em garantir a nossos filhos todas as "oportunidades" que o que estamos dando é vidas com múltiplas atividades e cheias de tensão como as nossas. 

Quero sim, e já estou, educando meu filho para tolerância e para a liberdade, mas preciso também apresentar a ele a igualdade e a solidariedade. Não quero que ele somente tolere e aceite pessoas diferentes dele na cor ou no gênero, vou ensina-lo que devemos amar o próximo, incluir, estender a mão e andar lado a lado. 

Eu sonho com um futuro melhor, com um país democrático, com políticos corretos. Eu acredito na educação que vem de casa, eu acredito que o amor e o carinho dedicado todos os dias aos nossos filhos e filhas podem fazer a diferença neste mundo cruel e desigual. 

Nem de longe sou uma mãe, feminista, pedagoga perfeita e que sabe sempre como agir, nem de longe. Mas eu tento, eu reinvento, eu insisto em acreditar que podemos mudar o mundo através das crianças. 

Encerro comas palavras de Paulo Freire que diz: ...para mim, é impossível existir sem sonho. A vida na sua totalidade me ensinou como grande lição que é impossível assumi-la sem risco.

Então, sigo sonhando!

Chana Beltramin

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