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A importância da brincadeira livre na infância

Data da publicação: 26/04/2019
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     Quando criança todos já passamos pela  experiência de estar em uma caixa de papelão e através dela vivenciar inúmeras sensações: Uma nave espacial, um avião ou em um castelo encantado. E aquela sensação de liberdade ao tocar o sinal do intervalo, a alegria em encontrar outras crianças no pátio da escola para brincar livremente. 
     Tão importante quanto estudar é o brincar, para quem acredita que o recreio é apenas uma passa tempo no cotidiano escolar, precisa compreender que o tempo de brincar é tão fundamental quanto o tempo em sala de aula aprendendo cores, letras, números e palavras.
     O brincar contribui diretamente com a aprendizagem e o desenvolvimento das crianças, o ato de brincar é uma oportunidade educativa que vai muito além dos conteúdos do currículo escolar tradicional. Priorizar os momentos lúdicos e livres da criança é possibilitar o seu desenvolvimento em plenitude, além de ser um processo no qual a sociedade se humaniza.
     No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece o brincar e o divertir-se como aspecto fundamental do direito à liberdade; já o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) garante "o direito das crianças a brincar como forma particular de expressão, pensamento, interação e comunicação infantil".
     As escolas em especial precisam deixar este espaço livre para os pequenos, sem intervenções, deixar a fantasia fluir livremente. É claro que a brincadeira deve ser segura, mas ela precisa também trazer um desafio para a criança. O educador não precisa ter um objetivo toda vez que a criança for brincar, pois é nesse momento que surge a espontaneidade e a originalidade. 
     Vamos exercer o brincar livre? Convido os pais, mães, educadores e educadoras a "repensar o momento do brincar, dando a oportunidade da criança conduzir o seu interesse e seu tempo". Por meio da metodologia lúdica, a criança aprende naturalmente. É um espaço em que ela cria, sente e pensa. 
     Durante as atividades, são trabalhados diversos aspectos do desenvolvimento do ser humano: lazer, diversão, descoberta, liberdade, noção de regras, memória, experimentação, autonomia, socialização, identidade, representação e imaginação. Ao mesmo tempo em que é uma ação de todos nós, o brincar é inerente a condição da criança e sua percepção com o mundo. 
     As brincadeiras são ferramentas para a construção de uma sociedade melhor, é através delas que as crianças tem contato com o outro e com mundo. A busca por espaços públicos mais convidativos à população em geral e, especificamente, às crianças, deve ser objetivo de toda a sociedade. A criança precisa vivenciar o dia a dia da cidade. Ela tem que se sentir em sua casa quando está no espaço público.
     Porém, cada vez mais as crianças estão fechadas em seus quartos, nas sacadas de seus prédios, isoladas e sozinhas, quando muito uma cuidadora que na maioria das vezes esqueceu como se brinca de verdade.  Tenho certeza de que, para muitas crianças, brincar na praça, na grama, em meio a natureza ou em espaços públicos é um luxo. 
     As crianças possuem a receita ideal para uma relação de respeito e amor ao próximo e que preza pela afinidade e compaixão e não pela violência e distanciamento. As crianças nos ensinam, basta prestar atenção em seus atos. As crianças ensinam o tempo todo, nós adultos que estamos ocupados demais para aprender com elas. Sugiro: ?libertar a criança" que ainda vive em você, para se conectar com a infância dos filhos. Por uma infância com menos brinquedos e mais brincadeiras.

Chana Beltramin

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