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A lama do lucro e da dor

Data da publicação: 25/04/2019
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     Quase dois meses após a terrível tragédia ocorrida na cidade de Brumadinho em Minas Gerais. No início perplexidade, indignação, luto, e a mão do tempo somada a outras pautas midiáticas vai lentamente nos fazendo diminuir a importância dada ao fato. 
     Não podemos esquecer, não podemos deixar de imaginar o sofrimento das mães que ainda não encontraram os corpos de seus filhos. Não podemos esquecer das famílias que viram as plantações, a safra, os animais e  o suor de toda uma vida sendo soterrado pela lama da ganância de quem sossegadamente repousa em sua mansão. 
     O odor putrefato exalado pela decomposição de comunidades inteiras, por muito tempo irá persistir na região, e é praticamente impossível mensurar o tamanho do impacto ambiental. Quando um ecossistema é afetado dessa maneira, ocorre um desequilíbrio muito grande, uma vez que cadeias alimentares inteiras são comprometidas, espécies são obrigadas a migrar de seu habitat natural, o arranjo arquitetado pela natureza e pelas comunidades no decorrer de milhões de anos sofre um grande distúrbio. Podem ainda existir espécies endêmicas (exclusivas de um determinado local), e que jamais serão vistas novamente.
     Metais pesados, ferro e sílica, irão comprometer a qualidade e fertilidade do solo, características físicas e mineralógicas serão alteradas, e a produção agrícola por muitos anos não será mais a mesma. Da mesma forma o ambiente aquático do rio Paraopeba foi completamente comprometido, uma vez que os níveis de oxigênio na água foram reduzidos a ponto de impedir o desenvolvimento de plantas e animais aquáticos, cabe a natureza tentar de maneira implacável realizar a tarefa da autodepuração, o que nesse caso, pode levar séculos.
     A premissa básica da palavra sustentabilidade prevê a harmonia entre o desenvolvimento social, o econômico e o ambiental, para que os recursos naturais sejam extraídos de maneira a suprir as necessidades de uma geração, sem comprometer o desenvolvimento das gerações futuras. Muito se fala sobre isso, mas realmente praticamos? Políticas nacionais de prevenção aos desastres da atividade de mineração precisam ser implementadas e levadas a sério, órgãos ambientais e setores de fiscalização precisam ser fortalecidos, para evitar que a divisão nunca mais seja feita dessa forma: Lucro para poucos, desastre e lama para a maioria.

Jacson Rodrigues França

Elton Mentges

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